Os papéis do divórcio tremiam em minha mão enquanto eu observava o rosto do meu marido. Não de tristeza ou arrependimento, mas pelo esforço que ele fazia para não sorrir.
“Vou levar todos os meus pertences pessoais comigo”, eu disse, com a voz firme.
Vanessa, esparramada no sofá de cor creme – aquele que eu havia encomendado sob medida da Itália há três anos –, suspirou. Seus dedos traçaram o tecido de seda enquanto ela admirava as janelas que iam do chão ao teto, com vista para a imensidão de São Paulo.
Ela não tinha a menor ideia do que o amanhã lhe reservava.
Júlio mal olhou para mim. Sua atenção estava fixa no celular, provavelmente trocando mensagens com alguém do trabalho sobre sua recém-descoberta liberdade. Depois de doze anos de casamento, era assim que terminava. Não com lágrimas ou desculpas, mas com a indiferença dele e o conforto dela no que acreditava que seria seu novo lar.
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