O aroma de alecrim e alho pairava denso no ar do Bellanova, misturando-se com as notas suaves de perfumes caros e vinhos que definiam todos os turnos da noite.
Meus pés doíam dentro das sapatilhas pretas gastas que eu usava há seis meses, as mesmas que comprei em um brechó quando comecei a trabalhar aqui.
Cada passo pelo chão de mármore polido enviava uma dor surda pelas minhas panturrilhas, um lembrete de que eu estava de pé por quase sete horas sem uma pausa adequada.
Eu me movia entre as mesas com uma invisibilidade praticada, o tipo de silêncio que se aprende quando se cresce assistindo seu pai trabalhar como policial disfarçado, quando se entende que, às vezes, o lugar mais seguro é onde ninguém pensa em olhar.
A camisa branca de botões e a saia lápis preta que compunham meu uniforme pareciam uma armadura, um disfarce que me permitia desaparecer no fundo das noites importantes de outras pessoas.
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