A mansão dos Silveira, antes silenciosa, ecoava com o choro angustiado dos gêmeos de oito meses, Pedro e Paulo. Era o som de fundo constante da vida de Marcos, um lembrete incessante da perda de sua esposa, Isabela, morta no parto.
Por oito meses, esse lamento desesperado afastou uma dúzia de babás experientes. A décima segunda acabara de sair, declarando os bebês "possessos" após três dias.
Marcos, consumido pela culpa e pela dor, via os filhos não como bebês, mas como o preço terrível que custou sua felicidade.
Quando a governanta Carmen anunciou que havia uma mulher à porta buscando trabalho como empregada doméstica, mas com experiência com crianças, a resposta de Marcos foi um desespero resignado: "Manda ela entrar, mas não prometo nada."
Helena Silva, 28 anos, entrou com uma calma que contrastava com a agonia da casa. Não se intimidou pela riqueza nem pelos gritos.
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