O grito rasgou o ar como uma nota sustentada de pura agonia, ecoando pelas paredes de mármore Carrara e pelos tetos abobadados e dourados da mansão dos Torres, em Angra dos Reis.
Não era o choro manhoso de uma criança mimada. Era um sofrimento bruto, primal, um som metálico que sinalizava que algo fundamentalmente errado estava acontecendo.
No centro daquela opulência obscena, jazia o pequeno Enzo, contorcendo-se em seu berço, o herdeiro de 10 meses de uma fortuna pessoal que excedia um bilhão de reais.
Seu cobertor, tecido de seda de vicunha e bordado com fios de ouro. No entanto, toda aquela riqueza não conseguia comprar-lhe um único momento de paz.
O mero toque do tecido contra sua pele enviava seu corpinho a convulsões de dor, e novas lágrimas escorriam por seu rosto.
Sebastião Torres, o pai, um homem cujo olhar frio podia fazer homens adultos confessarem seus pecados, cujo império se estendia de negócios legítimos aos cantos mais sombrios do submundo, permanecia impotente junto à janela.
O artigo não está concluído, clique na próxima página para continuar