O choro rasgou a cobertura novamente. Solange parou do lado de fora da porta do berçário, a mão tremendo sobre o carvalho polido.
Ela tinha 24 anos e trabalhava ali há apenas quatro meses, mas aquela noite parecia diferente. O choro do bebê não era normal. Era desesperado, urgente, como se ele estivesse tentando dizer algo a alguém.
— Solange! — A voz de Lilian Almeida Prado cortou o corredor. Aguda, trêmula, assustada.
Solange empurrou a porta. O berçário era gigantesco. Folhas de ouro cobriam as paredes. Cortinas de veludo pendiam do teto ao chão. Um lustre de cristal brilhava no alto. Tudo gritava riqueza. Tudo, exceto o berço no centro do quarto.
O menino se debatia lá dentro. Seus pequenos punhos batiam nos lençóis de cetim. O cabelo cacheado grudava na testa de suor.
O rosto estava vermelho, a boca bem aberta, gritando.
O artigo não está concluído, clique na próxima página para continuar