Passava da meia-noite quando a chamada atravessou o silêncio de sua cobertura em um dos bairros mais nobres de São Paulo. Não era uma hora normal, não era uma chamada normal. Marcos Monteiro acordou de um salto, com aquele instinto visceral que apenas um pai conhece. O ecrã do telefone iluminava o nome da linha fixa de sua casa em Alphaville.
— Emma, Lily? — chamou ele, sentando-se na cama, o coração martelando contra as costelas.
Nenhuma saudação veio em resposta, nenhuma explicação, apenas uma vozinha trémula, distante, quase um sussurro perdido na estática.
— Papai… ela está roubando você.
E então, silêncio. Um silêncio pesado, absoluto.
Ele ligou de volta. Uma, duas, três vezes.
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