Capítulo 1
O sítio dos Santos era um ponto final. A conclusão de uma frase escrita com o asfalto das estradas que, depois de quilômetros de promessas civilizadas, se esgarçavam num caminho de terra esburacado antes de morrerem aos pés de uma porteira cansada.
Aninhava-se no limite extremo do município de Serrania, um lugar tão remoto que os cartógrafos pareciam tê-lo desenhado por desencargo de consciência.
Não era uma grande propriedade, nem uma daquelas sedes imponentes que pontuam o campo e forçam a admiração dos viajantes.
Era um pedaço de terra modesto, apenas vasto o suficiente para exaurir uma mulher da alvorada ao crepúsculo, um solo que bebia o suor e o tempo como um sedento crônico, sem jamais parecer saciado.
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