A chuva em São Paulo não lava a sujeira. Apenas transforma a cidade num borrão cinzento e sufocante. Era exatamente assim que Clara se sentia, encarando o asfalto molhado: sufocada.
Ela pensava que o pior dia de sua vida já havia passado, enterrado a dois metros de profundidade junto com sua mãe. Estava errada.
Ao entrar naquele cemitério, tremendo dentro de um casaco fino, ela esperava o silêncio.
Em vez disso, encontrou uma frota de SUVs pretos blindados e um círculo de homens perigosos em ternos italianos, de pé, ao lado do túmulo de indigente de sua mãe.
O homem no centro virou-se, seus olhos mais frios que a tempestade. Ele não estava apenas visitando. Estava pagando uma conta.
E Clara estava prestes a descobrir que a dívida de sua mãe não morrera com ela.

Capítulo 1: A Dívida Silenciosa
O vento que soprava da Represa de Guarapiranga cortava o uniforme puído de Clara como uma navalha.
O artigo não está concluído, clique na próxima página para continuar