CAPÍTULO 1: A CALMA ANTES DA TEMPESTADE
O sol da manhã entrava timidamente pelas janelas do nosso chalé na Serra de Madrid, banhando a cozinha com uma luz dourada que prometia um dia de inverno frio, mas claro.
O aroma do café fresco, uma mistura intensa de grãos torrados e canela, pairava no ar, misturando-se com o cheiro cítrico do produto de limpeza que acabara de ser passado na bancada de granito.
Eu gostava daquele cheiro. Fazia-me sentir no controle, como se a minha casa fosse um refúgio imaculado do caos do mundo exterior.
Carlos, meu marido, tinha acabado de sair pela porta da frente há pouco mais de meia hora. Eu ainda conseguia sentir o fantasma do seu beijo na minha testa, rápido e seco, e o som das rodinhas da sua mala de couro rolando sobre o calçamento da entrada da garagem.
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