Eles arrastaram Dona Helena Almeida pelo quintal como se ela já fosse uma lembrança esquecida. A cadeira de rodas arranhou o cimento, depois virou. Lucas, seu próprio filho, desviou o olhar.
Laura, sua esposa, não. Ela destrancou a porta apodrecida do barracão do cachorro e empurrou Helena para dentro.
— Fique aí — disse Laura, com a voz vazia. A tranca clicou. Na escuridão, Helena abraçou uma pequena bolsa de pano contra o peito, as mãos tremendo, não apenas de medo, mas de memória.
Do lado de fora da cerca, vizinhos pararam, ouviram um apelo fraco, e então seguiram apressados. O silêncio se assentou como poeira.
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