PARTE 1: A DÚVIDA QUE CORRIA A ALMA
O silêncio na propriedade “Los Olivos” sempre fora meu inimigo desde que Elena partira. Nesta imensa casa, aninhada nas colinas douradas nos arredores de Sevilha, o eco dos meus passos no mármore frio servia como um lembrete constante da minha solidão.
Contudo, naquela tarde, o silêncio não era de solidão, mas de uma tensão elétrica quase insuportável que me arrepiava a pele.
Eu estava agachado na penumbra do antigo escritório do meu avô, um pequeno cômodo ligado à sala principal por uma porta de carvalho maciço que eu havia deixado entreaberta.
O cheiro de livros antigos e lustra-móveis enchia meus pulmões, misturando-se ao suor frio que escorria pelas minhas costas.
Eu me sentia ridículo, um homem de quarenta e dois anos, dono de uma das maiores exportadoras de azeite da Andaluzia, me escondendo na própria casa como um ladrão.
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