Daniel Reis era o tipo de homem que acreditava que o amor era apenas mais uma transação comercial.
Aos 32 anos, já havia construído um império em São Paulo, e as pessoas o elogiavam por seu sucesso, sua aparência e sua fria confiança.
Seus ternos eram sempre impecáveis, seus carros, sempre do último modelo, e seu nome tinha peso em qualquer sala em que entrasse.
Mas o coração de Daniel estava trancado. Durante a adolescência, ele viu sua mãe abandonar seu pai depois que um derrame o deixou debilitado. A imagem de Celeste Reis, com uma mala na mão, virando as costas para um Raimundo Reis recém-fragilizado, ensinou-lhe uma lição dolorosa e indelével.
“Já tive o suficiente”, ela dissera, com a voz desprovida de qualquer emoção que não fosse o cansaço.
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