A mansão de Álvaro Mendes, um empresário bilionário, era um palácio de mármore e cristais, mas abrigava um silêncio ensurdecedor.
Há dois anos, desde o diagnóstico médico que confirmou que sua filha de 7 anos, Lara, jamais andaria, a casa havia se tornado uma prisão de frustração e dor.
A décima babá em oito meses acabava de sair, com marcas de mordidas no braço e um veredicto final: Lara era uma criança "de alto risco", impossível de cuidar.
Álvaro subiu as escadas com passos pesados, o coração apertado. Do quarto da filha, vinham gritos de raiva e o som de brinquedos sendo arremessados contra a parede. "Vai embora! Todo mundo vai embora mesmo!", berrava a voz de Lara, carregada de uma dor que não era física, mas emocional.

Ela havia aprendido, aos 7 anos, que as pessoas fingiam gostar dela e depois sumiam.
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