O menino estava descalço, tremendo sob o sol impiedoso da tarde, cercado por risadas que cortavam mais fundo que pedras. As pessoas passavam sem diminuir o passo, algumas gravando, outras zombando, até que um homem parou.
Paulo Tavares, um poderoso CEO acostumado ao comando e ao silêncio, sentiu o fôlego abandoná-lo quando seus olhos se fixaram no colar pendurado no pescoço magro do garoto. Ele conhecia aquele colar.
Ele o havia fechado em volta do pescoço de sua ex-mulher, com as mãos trêmulas, muitos anos atrás, em uma noite cheia de promessas que não sobreviveram à manhã seguinte.
Agora, ele repousava contra o peito de uma criança de rua, suja, faminta, indesejada. A multidão empurrava o menino para longe.
O garoto olhou para trás, desafiador e assustado, e naquele instante, Paulo compreendeu que não era uma coincidência.
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