O champanhe borbulhava em tons de ouro na minha taça, capturando a luz âmbar das lâmpadas de filamento espalhadas pelo teto do Bar Meridiano.
Ergui-a em direção ao meu reflexo no espelho atrás das prateleiras de destilados premium, meu sorriso vacilando entre a alegria genuína e a incredulidade que ainda não havia se dissipado por completo.
“A Natália Campos”, sussurrei para mim mesma, “arquiteta júnior na Morais e Bastos”.
As palavras soavam mais doces que o champanhe.
Três anos de aulas noturnas enquanto trabalhava no varejo, incontáveis revisões de portfólio, dezessete candidaturas rejeitadas e, finalmente, finalmente, alguém tinha visto do que eu era capaz.
A entrevista naquela manhã tinha sido perfeita. O próprio Sr. Morais me acompanhou até a saída, sua mão quente no meu ombro enquanto prometia que a carta de oferta formal chegaria na segunda-feira.
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