A névoa densa vinda da Represa Guarapiranga rolava naquela manhã de terça-feira, envolvendo as ruas de São Paulo num manto cinzento que engolia sons e luzes.
A Avenida Ipiranga jazia quieta sob a bruma, suas fachadas comerciais ainda escuras, suas calçadas vazias, exceto pelo ocasional passageiro apressado, correndo em direção à estação de metrô com a gola levantada contra o frio.
Era o tipo de manhã que fazia um homem se sentir invisível.
Guilherme Brennan sentiu cada um de seus 42 anos enquanto guiava sua Harley-Davidson Road King pelas ruas enevoadas.
O ronco do motor era um conforto familiar, firme como um batimento cardíaco.
Após 23 anos de estrada, o cromo brilhava opaco na luz difusa. O vapor do escapamento se misturava com a névoa e desaparecia.
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