Ele era milionário. Ela limpava sua casa há dois anos. Quando a seguiu depois do trabalho, descobriu um segredo que mudou a vida de todos. Roberto Mendes estava na varanda do escritório, no segundo andar da sua mansão, quando viu Marina chegando pelo portão dos fundos. 7:15 da manhã, como sempre. Nem um minuto a mais, nem um a menos. Dois anos trabalhando na casa dele e ela nunca tinha se atrasado nem uma única vez. Isso deveria ser motivo de alegria para qualquer patrão. Mas Roberto sentia uma inquietação estranha sempre que observava a rotina mecânica da empregada. Marina Silva caminhava pelo jardim com passos firmes, a bolsa preta sempre apertada contra o corpo, os olhos fixos no chão. Ela usava o mesmo tipo de roupa todos os dias: calça jeans escura, blusa de algodão simples, tênis branco que já tinha visto dias melhores, mas havia algo na postura dela que chamava atenção.
A mansão de Roberto Mendes, um império de mármore e vidro, era um monumento à solidão. Aos 45 anos, o bilionário do ramo imobiliário havia acumulado uma fortuna que podia comprar qualquer coisa, exceto o que realmente importava: um propósito.
Desde a morte do filho, Henrique, vítima de leucemia, Roberto vivia em um estado de apatia profunda, cercado por lembranças dolorosas e um vazio que nenhum negócio conseguia preencher.
Sua rotina era meticulosa e vazia. Tudo mudava às 7h15 da manhã, com a chegada de Marina Silva. Há dois anos, Marina trabalhava como empregada doméstica na mansão.
Ela era uma mulher de poucas palavras, movimentos precisos e uma dignidade silenciosa que intrigava Roberto.
Diferente de todas as outras funcionárias, Marina nunca se atrasava, nunca errava e nunca aceitava favores.
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