Júlio Monteiro contemplava a linha do horizonte de São Paulo da janela de seu escritório no trigésimo andar, um copo de uísque single malt na mão, o gelo estalando suavemente.
A cidade se estendia abaixo dele, um mar de concreto e luzes que ele havia conquistado, mas que agora parecia zombar de sua solidão. Sobre a mesa de jacarandá polido, amassado com uma fúria contida, jazia o convite.
O papel marfim, com suas letras douradas e elegantes, anunciava o primeiro aniversário de casamento de Charlotte Vasconcelos.
Ela fizera questão de que o convite chegasse às suas mãos, uma adaga de papel cuidadosamente enviada para torcer em uma ferida que ele tentava, em vão, ignorar.
As colunas sociais, como as do Glamurama e as notas de rodapé nos jornais de negócios, ainda sussurravam sobre o divórcio deles no ano anterior.
Um divórcio que Charlotte transformara em um espetáculo público.
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