O sol queimava alto sobre os portões polidos de uma luxuosa mansão no bairro do Morumbi, em São Paulo. Convidados em ternos caros e vestidos elegantes congelaram quando uma surrada mala de viagem foi atirada na calçada de pedras portuguesas. Um homem permaneceu imóvel na entrada, suas roupas simples, sua postura calma, mas sua presença, indesejada.
Uma voz fria cortou os murmúrios.
— E não volte nunca mais aqui.
Estevão permaneceu onde estava, o calor do asfalto pressionando contra a sola de seus sapatos, a humilhação se acomodando silenciosamente em seu peito. Ele abaixou a cabeça, cerrou os punhos e, por um breve segundo, algo indecifrável passou por seus olhos.
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