Rebeca Collins gargalhou tão alto que precisou se apoiar no balcão. Não uma risadinha educada, mas uma gargalhada cheia de escárnio que ecoou por todo o showroom.
O tipo de risada que fez três outros vendedores se virarem e a encararem. O tipo que dizia: “Não acredito que este velho sujo pensa que pertence a este lugar”.
Parado à sua frente estava Marcos Tavares, 68 anos, negro, pai solteiro, usando botas enlameadas, uma jaqueta de brim puída e manchada de graxa e um jeans com remendos mais velhos que a carreira de Rebeca. Ele havia acabado de dizer seis palavras.
“Eu quero doze John Deeres hoje.”
O que Rebeca não sabia era que aquelas botas sujas haviam caminhado por mais de oitocentos hectares de terra quitada.
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