Às 2h47 da madrugada, Tomás “Falcão” Dantas atendeu a um telefonema que quebraria dezesseis anos de silêncio. Uma menina que ele jurou proteger estava morrendo em uma cama de hospital, com costelas quebradas, o pulso fraturado e um padrasto com um distintivo que alegava ter sido tudo um acidente. Ao amanhecer, 97 motocicletas trovejariam pelo asfalto em direção a uma única promessa.
Mas o que eles encontraram naquele hospital deflagraria uma guerra entre justiça e poder que ninguém previu.
O telefone tocou às 2h47 da manhã. Falcão o pegou no terceiro toque, a voz rouca de sono.
— Dantas.
— Senhor Dantas, aqui é Renata Chaves, do Conselho Tutelar de Minas Gerais. Estou ligando sobre Lilian Moraes.
Sua mão parou a meio caminho do abajur.
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