Daniel Ferreira nunca imaginou que colocaria os pés em um lugar como a , e muito menos que trabalharia ali. O imenso edifício comercial na Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, em São Paulo, erguia-se como um monumento à riqueza e à precisão.
Paredes de vidro espelhado que refletiam o pôr do sol alaranjado da capital, acabamentos em cromo, luzes ativadas por movimento e um silêncio que parecia caro demais para ser quebrado.
Ele aceitara o emprego de faxineiro noturno porque o salário era melhor do que seus últimos três bicos somados. Daniel precisava desesperadamente daquele dinheiro.
Desde que sua esposa falecera, dois anos antes, a vida se tornara um exercício de equilibrar pratos: o aluguel do pequeno apartamento na Zona Sul, as contas de luz e, acima de tudo, o bem-estar de sua filha de seis anos, Alice.
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