No ano de 2024, no coração sombrio de São Paulo, onde arranha-céus espelhados lançam suas sombras sobre as periferias esquecidas, Valentina Mendes, uma mulher marcada por um passado como prostituta forçada que o submundo jamais a deixaria esquecer, esfregava manchas de sangue do piso de mármore do cassino clandestino “O Diamante Negro”, às três da manhã, enquanto suportava o peso invisível de ser ninguém, nada, apenas mais um fantasma por quem os poderosos passavam sem um olhar.
Abandonada como lixo cinco anos antes, quando ousou engravidar, ela criava sozinha sua pequena filha, Mia, de apenas cinco anos, aceitando a humilhação como o preço da sobrevivência em um território governado por demônios.
Naquela noite fria de novembro, enquanto suas mãos rachadas e em carne viva pelos produtos químicos limpavam manchas que ninguém se dava ao trabalho de explicar, Val jamais poderia imaginar que sua garotinha, perambulando pelos corredores proibidos em busca da mãe, estava prestes a descobrir um homem acorrentado no porão do cassino; um homem que a cidade inteira temia.
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