CAPÍTULO 1: O FRIO DE MADRID NÃO DEIXA NINGUÉM DE FORA
Madri em dezembro tem uma beleza cruel. Luzes de Natal pendem sobre a Gran Vía como colares de diamantes, as vitrines da Preciados transbordam de brinquedos que parecem ganhar vida, e o cheiro de castanhas assadas e churros quentes preenche o ar, prometendo um calor que nem todos podem pagar. Para a maioria, é a época mais mágica do ano. Para mim, Lucía, era o cenário do meu próprio pesadelo.
—Mamãe… Estou com fome.
A voz de Mateo era quase um sussurro, mas ecoou nos meus ouvidos com a força de um grito. Apertei os lábios com tanta força que senti o gosto metálico do sangue.
Mateo tinha apenas quatro anos, uma idade em que as preocupações deveriam se limitar a qual desenho animado assistir ou com qual brinquedo brincar.
No entanto, sua barriguinha já havia aprendido um dialeto que nenhuma criança deveria conhecer: a linguagem do vazio.
O artigo não está concluído, clique na próxima página para continuar