O cheiro de limão e amônia era o perfume da infância de Ethan Martinez.
Era o cheiro do trabalho árduo de sua mãe, um aroma que se agarrava ao seu uniforme e se misturava com o cheiro do jantar que ela aquecia no micro-ondas do refeitório dos funcionários no 42º andar.
Para a maioria das pessoas, o arranha-céu da Blackstone Industries era um monolito de vidro e aço, um farol do sucesso empresarial de Chicago.
Para Ethan, de 13 anos, era uma segunda casa, um playground vertical onde os corredores eram longos demais, os escritórios vazios eram cavernas misteriosas e as salas de descanso dos zeladores eram o único refúgio seguro.
Ele estava nesse refúgio agora, debruçado sobre um livro de álgebra aberto em uma mesa de fórmica gasta.
A lição de casa era uma distração bem-vinda do zumbido onipresente do prédio — o murmúrio distante do tráfego, o clique suave das portas de segurança e a pulsação rítmica do sistema de climatização.
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