Ele não apenas a deixou em Portugal. Ele apagou a sua existência numa única manhã.
Ao amanhecer, Sofia Almeida estava de pé numa rua fria de pedra em Lisboa, com uma mala vazia, um telemóvel sem bateria e sem o passaporte.
Todos os cartões de crédito foram recusados, todas as contas bloqueadas. O gerente do hotel não lhe devolvia os documentos porque a fatura, a sua fatura, tinha sido estornada durante a noite.
Do outro lado da rua, Heitor Correa Vasconcellos entrou num carro que o esperava, com a mão a segurar o pulso de Verônica Bastos, sem olhar para trás uma única vez.
“Vais desenvencilhar-te”, disse ele, secamente. “Para mim, acabou.”
O que ele não viu foi a mão de Sofia a apertar um envelope fino que ela ainda não tinha aberto. No canto, uma linha carimbada captou a luz:
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