Era uma vez, em um imponente arranha-céu de vidro e aço na movimentada Avenida Faria Lima, em São Paulo, vivia uma mulher chamada Ângela Aguiar.
Ângela era o tipo de mulher que se movia em silêncio, uma sombra nos cantos iluminados de vidas que ela não tinha permissão para tocar. Ela era a faxineira.
Com uma dedicação quase sagrada, Ângela transformava o chão opaco em espelhos de mármore polido. Limpava os painéis de vidro até que o horizonte da cidade se refletisse neles com uma clareza cristalina.
Carregava sacos de lixo como se contivessem segredos, sem fazer o menor ruído, deslizando de um canto para o outro, uma coreografia silenciosa para não perturbar o ritmo frenético das vidas importantes que a cercavam.
A maioria das pessoas não a cumprimentava. Alguns nem sequer a olhavam.
Para muitos, Ângela era apenas parte do mobiliário do edifício, como as paredes brancas, as cadeiras de design ergonômico ou o zumbido constante do ar condicionado.
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