Era janeiro de 1996.
Verão pesado, abafado, daqueles que deixam o ar parado e a cidade em silêncio no meio da tarde.
Nos anos 90, tudo acontecia mais devagar. Não existia celular, não existia internet, não existia rede social para avisar perigo, espalhar boato ou criar fama. Em cidades do interior, a vida seguia quase sempre igual: acordar cedo, trabalhar, voltar para casa antes de escurecer.
Varginha era exatamente assim.
Uma cidade comum do sul de Minas Gerais, conhecida pelo café, longe de qualquer centro de poder, longe de mistérios, longe do mundo. Pelo menos até aquele sábado, 20 de janeiro de 1996.
Naquele dia, três meninas caminharam para casa sem saber que estavam prestes a atravessar uma fronteira invisível. Uma fronteira que ninguém vê, mas que, depois de cruzada, nunca mais permite voltar ao que era antes.
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