A chamavam de muitos nomes: menina da rua, brutamontes, mulher-macho, senhora, músculo, bicho da ponte. Mas seu nome verdadeiro era Zara.
Tinha 25 anos, era uma pessoa em situação de rua e mais forte do que a maioria dos homens que zombavam dela. Todas as manhãs, antes que o sol escalasse completamente o céu, Zara acordava com o som de motores e buzinas.
A ponte sobre seu local de dormir rugia como uma besta inquieta. Ônibus sacudiam seus ossos, motocicletas gritavam por suas veias e caminhões pesados tossiam fumaça preta no ar. O cheiro de óleo e poeira se misturava com o odor azedo da sarjeta próxima. Ela dormia sobre papelões achatados ao lado de uma oficina mecânica abandonada, usando uma jaqueta militar rasgada como cobertor.
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